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Hoje, Stradivari está com a bola toda?

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Hoje, Stradivari está com a bola toda?

Mensagem  £ëø Mø®£ix em 17/1/2011, 15:44

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>>> Hoje, Stradivari está com a bola toda? <<<

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Vamos tratar de um assunto, que poucos param para pensar. Antonio Stradivari. Notável Luthier italiano que marcou presença, definiu padrões e se imortalizou na história da lutheria. Quem não conhece a fama de seus instrumentos, sobretudo os violinos.
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Quem os viu, rapidamente comenta sobre suas formas perfeitas, detalhes mínimos perceptivelmente bem acabados juntos com um show de simetria perfeita. Quem os toca, claramente ouve o som incomparável de um instrumento de som potente e timbre puro.
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Não há um violinista no mundo que não deseje ou cobice ao menos a idéia de possuir um instrumento de Antonio Stradivari. E esmagadora maioria, caindo na real desse desejo impossível, e fato que jamais sairá dos sonhos, corre atrás de ao menos uma réplica de um de seus instrumentos. Para que ao menos, o nome Stradivarius se faça presente no seu instrumento. Não é verdadeiro, claro.
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Mas só o nome no selo, e as formas e cores já passam certo respeito, algo a ver com um objeto imponente. Esses são os instrumentos, e a fama de Stradivari, que correu por séculos e se mantém até hoje. Agora, vamos falar sério e usar a voz da razão para fazer uma análise real: Avaliemos o nível de todos os Luthiers que há pelo mundo, e os resultados que são obtidos por suas concepções. No quesito fama e história, talvez nenhum seja comparado com Antonio Stradivari. Mas e no quesito timbre e visual? Será que não estamos enchendo muito a bola de Stradivari?
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> Especulações sobre o mestre <
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A verdade é que, na época de Stradivari, houve muitos mestres, mas Antonio se sobressaiu sobre todos eles em seus resultados, fazendo obras imortais, ainda mais, levando em consideração o fato de que mudou a fôrma do violino para algo pessoal, e obteve um resultado fantástico. Daí nasceu o padrão Stradivarius, de Cremona. E muitos seguiram seu padrão, e seguem até os dias de hoje. Muitos dizem que seu segredo era o verniz.
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Considero esse fato um mito, já que, violinos sem verniz não são melhores do que os que já têm verniz (e isso, falando do verniz de resinas naturais). Se realmente Stradivari tivesse criado um verniz tão fino que não abafasse em nada o som, violinos sem verniz seriam melhores que os dele. Outro fato absurdo é dizer que ele utilizava madeiras de navios naufragados há anos, e, o contato com a água salgada deixava a madeira melhor.
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Impossível. A madeira naufragada, na água do mar apodrece com os anos, isso quando não se desintegra. Há uma leve teoria de água com sal alterar a densidade da madeira, fazendo com que a condução de ondas sonoras seja melhor. Eu mesmo faço isso em cavaletes com baixo potencial de som, e dá uma pequena melhora. Mas também, de longe é o segredo.
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Outros diziam que ele utilizava cinza vulcânica na madeira, o que a deixava mais dura... O que acontece, é que antigamente não tinha lojas de ferragens para comprar as nossas milagrosas “lixas” de hoje, então, se usava a pedra Pômer, que nada mais era do que feita do material mineral das cinzas vulcânica. Ou seja, Stradivari usava isso apenas para lixar e dar o acabamento na madeira.
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Enfim, várias teorias absurdas, em meu consentimento. O que de fato, Stradivari fazia para fazer a diferença, são alguns fatores que o ajudaram consideravelmente.
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>>> O segredo de Stradivari <<<
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Primeiro: Stradivari era rico. Quando os navios chegavam carregados de madeira, ele era o primeiro a ir ao cais e selecionar a madeira. Ele só pegava as melhores. E isso se junta ao fato de ele saber escolher as melhores para confecção dos instrumentos.
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Segundo: Dados históricos dizem de um período climático pouco alterado na Europa. O clima era levemente mais frio, fazendo com que a densidade da madeira mudasse, deixando-as mais duras. Até a natureza ajudou Stradivari a construir suas obras imortais.
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Nota: Não adianta comprar um bloco de madeira e deixar meses no Freezer, pois não vai adiantar nada. A madeira se define no seu crescimento, Depois que ela foi cortada, o que ela desenvolveu, é o que vai ser.
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Terceiro: Stradivari entendeu mais do que o próprio mestre Nicolo Amati, os caminhos e projeções de cada ponto da madeira. Tanto que, construiu sua própria fôrma com base nisto, e o resutado todos já sabem.
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Quarto: E o mais importante de tudo. Stradivari era rico, não precisava da lutheria para sobreviver. Ou seja: ele simplesmente amava o que fazia. E isso é o que mais influencia em qualquer coisa que qualquer ser humano faça.
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Pois se você ama o que faz, fará com calma, paciência, dedicação e cuidado. E estes fatores, juntos, eram o segredo de Stradivari. Escrito em todos os arquivos sobre sua história, mas que poucos deram conta de associar ao seu sucesso.
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> Os violinos, violas e violoncelos do mundo <
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Sabemos que, um instrumento de cordas, quanto mais velho, melhor é. Verdade? Em parte, apenas. Pois o instrumento mais influente de Stradivari, o Messias, é lindo, mas não tem o mesmo som que o Arditi, ou o incomparável Viotti Marie Hall.
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Por quê? Porque o Messias foi construído e, literalmente, arquivado, sendo descoberto somente no século XX, intacto, intocável.
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Então, ao contrário dos outros, não foi tocado com freqüência, não ficou exposto a diferentes variações climáticas, ou seja, todos os fatores que trabalham para o amadurecimento da madeira. Então, com exceção do Messias, os instrumentos de Stradivari já têm essa vantagem sobre os instrumentos dos luthier de hoje: O tempo.
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> A voz da razão <
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Agora, o ponto onde queríamos chegar. Hoje também existem boas madeiras, melhores cordas, e bons luthiers que utilizam a planta de Stradivari na construção de instrumentos. Será que, se tirarmos a capa do fascínio que temos por Stradivari e os fatos e depoimentos históricos, não aparecerá a verdade que é: Já se alcançou o nível de Antonio Stradivari.
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Pois a verdade bruta é que: Stradivari foi um ótimo e dedicado luthier, o melhor de sua época, que entendeu perfeitamente os mecanismos da lutheria, e baseado nisso, mudou a fôrma dos violinos, para o que eles deveriam ser desde o início. Ou seja, Stradivari foi um inventor que teve todos os recursos disponíveis para poder mostrar ao mundo sua invenção: O violino Stradivarius.
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E hoje, como o padrão perfeito já foi basicamente “definido”, não há mais o que mudar. Não tem que ficar colocando a madeira de molho na água com sal, jogar pó de cinza vulcânica, e muito menos passar camadas de bosta de cavalos (acreditem se puderem) para preparar a madeira. Claro, existem alguns macetes para preparar a madeira.
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Alguns componentes químicos, como o Bromato de Potássio diluído em água ajudam a ressaltar os veios da madeira, antes de receber o verniz, e outros segredos da lutheria, são as únicas coisas a se fazer antes de construir ou envernizar um instrumento. Nada mais.
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> Conclusão <
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Certa vez toquei um violino de um luthier (não preciso citar nomes, a intenção não é essa), que tinha um som tão macio e volumoso, que, nas mãos de um profissional de verdade, poderia levantar suspeita, se comparassem com um Stradivarius legítimo num quarto escuro.
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Ou seja: Acredito que o segredo foi descoberto, e era simples, e já está sendo utilizado.
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Quem garante que, estes excelentes instrumentos construídos hoje, com o amadurecimento do tempo, não fiquem iguais ou quem sabe até melhor que um Stradivarius genuíno? Pois podemos pegar algumas perguntas para comparar: Quem ganharia se Pelé e Maradona jogassem no mesmo campo, na época de seu auge? Claro que cada um vai defender seu ídolo, mas realmente, só dá pra saber se o jogo tivesse acontecido. E a mesma pergunta, é feita em relação a Airton Senna e Michael Schumacher. Senna foi campeão três vezes, enquanto Schumacher foi sete.
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E se Senna não tivesse morrido? Ele superaria o alemão? Patriotismo à parte, e tirando de lado a simpatia por nosso herói, é uma pergunta difícil de ser respondida. Lembrando ainda que, Stradivari teve seu auge, também.
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Ele fez algumas centenas de instrumentos. Dessas centenas, muitos se perderam, menos de vinte são realmente conhecidos e apenas uns seis são extraordinários ao ponto que entraram pra eternidade e fizeram o nome do mestre.
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Então, levando em conta que existem excelentes luthiers hoje, que usam material de primeira qualidade, e que seguem a mesma fórmula do professor supremo da Lutheria, que vez ou outra fazem um instrumento surpreendente que se destaca de todos, serem iguais a Stradivari? Afinal, como pudemos ver, não havia nenhum segredo sobrenatural ou de outro planeta para Stradivari conseguir seus resultados.
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A única coisa que o difere dos Luthiers de hoje, é que foi ele quem teve idéia das medidas da melhor planta para violinos descoberta até hoje. E como praticamente todos seguem essa mesma planta, não seria apenas uma questão de todos viverem na mesma época para haver a prova definitiva dessa teoria? Não publiquei este artigo para desfazer de Antonio Stradivari. Se Santos Dumont foi o pai da aviação, Stradivari foi, sem dúvida nenhuma, o pai da Lutheria. Mas que, no mínimo, já fizeram instrumentos dignos de sua fama, já fizeram.


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