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Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

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Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

Mensagem  £ëø Mø®£ix em 17/2/2010, 00:45

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>>> Andréa Amati - O Primeiro Luthier e Mestre de uma Geração <<<

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Em sua essência, o Violino é quase o mesmo desde que foram adotadas as formas finais deste belo instrumento há mais de 450 anos.
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Amati, Stradivari e Guarneri...nomes que se tornaram praticamente símbolos do que deve ser um Violino, viveram e trabalharam em Cremona (Itália) nos séculos 16, 17 e 18. Seus trabalhos representaram as realizações mais elevadas de uma herança artística e cultural – um acumulativo de conhecimento que até hoje vigora e são exemplos de “perfeição” para várias gerações de artistas, artesãos, cientistas, matemáticos e fabricantes que tentam, apesar de toda tecnologia existente, “descobrir” quais foram as “formulas mágicas” empregadas por essas incríveis figuras humanas em suas obras mais glamurosas.
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Durante o século 16 (renascimento na Itália), as cidades italianas de Cremona, Bréscia e Veneza eram centros ativos de cultura e símbolos máximo na nobre arte de se fazer Violinos. Cremona, por sua vez, teve um desenvolvimento muito mais adiantado do que qualquer outra cidade no que se refere a luthieria de Violinos. A “Escola de Cremona”, formou os principais construtores de instrumentos, como os das famílias Amati, Guarneri, Stradivari, Ruggeri e Bergonzi.
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Seu primeiro filho mais famoso, vindo depois uma geração de grandes notáveis, foi sem duvida alguma Andréa Amati (1511 - 1577). Foi Amati quem deu a forma final de como deve ser um Violino (posteriormente, Stradivari aumentou essas formas e inovou nas técnicas de construção).
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Andrea Amati foi o primeiro artesão conhecido de Violinos e Violoncellos e consta que hoje restam no mundo apenas 8 dos Violoncellos feitos por ele.
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Os instrumentos os mais velhos de Andréa Amati datam de 1538 e além do som espetacular, eram artisticamente decorados (com cenas, símbolos, pinturas e adornos de diversas espécies). Exemplo disso é o poderoso Violoncello “O Rei”, feito para o Rei da França, Charles IX.
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>>> Violino mais antigo do mundo – Andréa Amati (1560) <<<
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http://216.239.37.104/translate_c?hl=pt-BR...ww.usd.edu/smm/Violins/Amati3366/3366AmatiViolin.html&prev=/search%3Fq%3D%2B%
2522andrea%2Bamati%2522%26num%3D100%26hl%3Dpt-BR%26lr%3D%26sa%3DG%26as_qdr%3Dall
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>>> Violoncello “O Rei” <<<
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http://www.usd.edu/smm/Cellos/Amati/Amaticello.html
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Foi Amati também quem deu a forma final ao Violoncello, e deste instrumento, apenas 8 de sua autoria sobreviveram até hoje, os outros foram perdidos ou destruídos durante as diversas revoluções que atingiram a Europa no decorrer dos séculos (ex: Revolução Francesa).
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Na verdade, o “clã” iniciado por Amati, vindo depois Guarneri e Stadivari, é um só no que se refere a propagação do conhecimento e técnicas de se fazer Violinos Estupendos.
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Andréa Amati ensinou tudo que sabia para seu neto Nicolo Amati (1595 – 1684), e este, primeiramente foi Mestre de André Guarnéri (1626 – 1698) e depois de Antonio Stradivari (1644 – 1737)...repassando todo o conhecimento adquirido para ambos.
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Os Violinos feitos por Nicolo Amati são um dos mais valiosos da família Amati. Nicolo foi um verdadeiro disseminador do conhecimento (grande professor – Mestre de Mestres do Violino), durante sua vida produziu alguns dos Violinos mais bonitos e bem feitos, chegando a ser considerado por muitos estudiosos como o melhor fabricante da família de Amati (superando seu Mestre e Avô, Andréa Amati).
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Nicola Amati ensinou para Francesco Rugeri (1620 – 1695) e Giovanni Battista Rogeri (1617 – 1683) e seu próprio filho Girolamo II (1649 – 1740). Más seus pupilos mais famosos foram Andréa Guarneri (1626 – 1698, patriarca da família Guarneri ) e Antônio Stradivari (1644 – 1737).
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***A partir das inovações introduzidas por Antonio Stradivari, por volta de 1700, o Violino passou por pequenas mas significativas mudanças estruturais, para que pudesse atender às necessidades das sucessivas gerações de compositores e intérpretes. No século XIX, o surgimento das grandes salas de concerto e o aparecimento da figura do “virtuose” levaram às alterações que lhe deram a feição definitiva e que redundaram num timbre mais volumoso e brilhante (é considerado o maior luthier de todos os tempos. Estima-se que tenha produzido cerca de 1.100 instrumentos. Desses, hoje em dia, somente 63 têm paradeiro conhecido).
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Andréa Guarnéri teve 2 filhos, Pietro Guarnéri (1656 – 1740: este fundou uma escola altamente respeitada do Violino em Mantua) e Andréa Giuseppe Guarnéri (1666 – 1740: este teve 2 filhos, Pietro Giuseppe 1695 – 1762 e Bartolomeu Giuseppe 1698 – 1744).
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Deste clã de Guarnéri’s, sem duvida alguma foi Bartolomeu Giuseppe quem mais se destacou (posteriormente, mudou seu nome para o Joseph Guarneri del Gesu). Na sua vida, tornou-se distante e afastado da sua família, e para não ter seus Violinos confundidos com os dos demais familiares, os “batizou” de “Guarneri del Gesu” ou “del Gesu” como também são conhecidos (De Jesus). Em 1994, no aniversário de 250 de sua morte, foram exibidos 25 de seus trabalhos mais famosos no Museu Metropolitano de New York.
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Muitos acreditam que além das fabulosas técnicas de construção de Joseph Guarneri para se criar instrumentos impares, um outro fator também teria ajudado mais ainda na fama desse renomado luthier – Nicolo Paganini (1782 – 1840) – o maior violinista de todos os tempos.
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Niccolo Paganini ganhou de seu amigo, Monsier Livron, um valioso Guarneri’s chamado “O Canhão”, o que Paganini fez com este Violino durante sua vida se transformou num dos maiores espetáculos que poderia ocorrer com um instrumentista. Se um Guarneri’s já era valioso, com Paganini estes instrumentos se tornaram lendas como os Stradivari’s (aconselho, para quem não leu, ler o post sobre Niccolo Paganini)
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***Aos quinze anos, Niccolo estava programado para dar um espetáculo, mas seu violino estava penhorado, um amigo, Monsieur Livron, ofereceu-se a emprestar lhe o próprio e valioso Guarnerius, e, naquele concerto, ficou tão encantado com Paganini que insistiu para que o violinista retivesse o precioso instrumento como um presente, que era uma peça muito valiosa entre os instrumentos musicais da época.
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Apesar da grande escassez de alimento que assolou a Itália em 1628 e a grande “Praga” que devastou Cremona 2 anos mais tarde. Nicolo Amati conseguiu manter-se firme na fabricação destes maravilhosos instrumentos, mesmo estando numa Itália devastada pela fome, doença e pobreza.
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Obs: E nós muitas vezes reclamamos da vida sem motivos.
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Em caráter de respeito, convém lembrar que esses eventos fizeram muitas vitimas por toda Itália (e algumas partes da Europa), e no que se refere ao mundo do Violino, levou Giovanni Paolo Maggini, um outro renomadíssimo luthier de Violinos daquela época (a "Praga").
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Devido às diversas seqüelas econômicas e políticas causadas em virtude da grande “Peste” (ou “Praga”) e também revoluções, é notório que 1730 marca um declínio constante da arte por toda Europa. Esses diversos fatores mencionados, acabaram marcando o fim da "Era de Ouro do Violino" – a era mais nobre de fazer instrumentos tão espetaculares que em nenhuma outra parte do mundo se viu ou se conseguiu igualar.
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Muitos questionam porque os últimos Mestres de tão nobre arte não propagaram esse conhecimento para que a arte da construção não se perdesse, estudiosos dizem que numa Europa devastada por doenças, fome e revoluções, os europeus estavam mais preocupados com o que iam comer no dia seguinte do que em aprender a fazer Violinos – e não consta que a nobreza, única que ainda tinha uma estabilidade cotidiana, estaria interessada nisso (alguém conhece um príncipe qualquer que teria se interessado em aprender com um humilde luthier como fazer Violino?).
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O que aconteceu muito nessa época foi o mecenato, ou seja, pessoas de posses que compravam relíquias de diversas espécies com o objetivo de não permitirem que a miséria, pobreza e revoluções que assolavam os vários paises dessem fim às diversas formas de artes que ainda restavam (quadros de pintores famosos, instrumentos musicais poderosos, obras de arte, etc).
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Mistérios ainda rodeiam sobre como os Violinos destas 3 gerações conseguem até hoje, com a imensa gama de tecnologia disponível ao homem, impor tanto respeito e força perante os instrumentos da atualidade, muitos já foram estudados em laboratórios para se descobrir, por exemplo, a fórmula completa do verniz utilizado por estes primeiros construtores de Violinos, más isso ainda é um mistério.
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Sabe-se que por causa da nobreza das madeiras antigas e das técnicas artesanais de 500 anos atrás, os instrumentos daquela época soam cada vez melhores com o passar do tempo. Ou seja, com o entrar de séculos e sair de séculos, cada vez mais vão ficando poderosos; más como descobrir mais detalhes dessa “Era de Ouro” perdida, se não existem muitas referências nem anotações...apenas às obras já acabadas.
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Até hoje, os Violinos Amati’s, Guarneri’s, Del Gesu’s e Stradivari’s têm sido os mais requisitados e procurados por colecionadores, violinistas renomados e até mecenas (pratica que até hoje se mantém); o que os transforma em verdadeiras jóias raras e preciosidades de uma era passada que talvez jamais retorne, é muito comum, por exemplo, os Stradivari’s menos famosos alcançarem cifras de US$1 milhão a unidade. O que dirá então do famoso Violino “Troppo Rosso” avaliado em US$ 4 milhões e o inigualável “Messias” cotado em absurdos US$ 20 milhões e pertencente ao Museu de Oxford.
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>>> Violino "O Messias" <<<
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http://www.flickr.com/photos/r-and-w/12531066/in/set-305976/
http://www.flickr.com/photos/r-and-w/12530616/in/set-305976/
Esses instrumentos poderosos e grandiosos, que desafiam e humilham os da atualidade com tamanha desenvoltura, são símbolos máximos de refinamento e possuem legiões de admiradores nos 4 cantos do planeta (mesmo entre outros instrumentistas).
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Não são raros depoimentos de pessoas que dizem que tal marca de ‘x’ instrumento é considerada o “Stradivari” daquela linhagem (mesmo quando esse instrumento não tenha semelhança alguma com um Violino)...esse tipo de respeito e admiração – mesmo entre outros interpretes – não se consegue do dia para noite...existem motivos concretos para isso.
Todos esses poderosos Violinos, Violas e Violoncellos (os Amati’s, Guarneri’s, Del Gesu’s e Stradivari’s) e o som que conseguem produzir, são sinônimos de algo bem “simples” no meio musical...perfeição.
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Descobrir a receita desses instrumentos, é como tentar descobrir todo o processo de criação de um delicioso bolo depois deste estar pronto...como saber os ingredientes utilizados? Gramaturas? Sequência de mistura dos ingredientes? Tempo no forno? Temperatura do forno (se manteve constante durante todo o processo)?
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Mistérios...


Última edição por £ëø Mø®£ix em 11/7/2012, 16:27, editado 2 vez(es)

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Re: Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

Mensagem  Convidad em 6/7/2011, 07:50

Very Happy ola muito boa essa materia, pois tinha vontade de aprender a trabalhar com lutheria, mas nao encontro escolas que ensina aqui em sao paulo, alguem sabe me dizer onde encontro? Very Happy

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Re: Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

Mensagem  Mayara Verginio em 6/7/2011, 16:51

Luthier Paulo Tavares costuma ter aprendizes, mas já não sei dizer como é. Se são familiares, ou se ele aceita outras pessoas.

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Re: Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

Mensagem  Felipe Espíndola em 30/9/2011, 10:26

meu violino escreveu:Very Happy ola muito boa essa materia, pois tinha vontade de aprender a trabalhar com lutheria, mas nao encontro escolas que ensina aqui em sao paulo, alguem sabe me dizer onde encontro? Very Happy
Ja penso em conservatorio?Não sei a sua condição financeira e de tempo, mas conheci um lhutier que aprendeu em Tatúi, ja ouvi muitas coisas boas sobre, mas requer tempo pra estudo e "Dim Dim" tambem rsrs, eu tambem gostaria de aprender, aos poucos vou indo mas só por hobby.

Felipe Espíndola

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Re: Andrea Amati mestre de uma geração de luthiers

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