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Concerto x Sinfonia - (diferenças)

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Concerto x Sinfonia - (diferenças)

Mensagem  £ëø Mø®£ix em 17/2/2010, 01:31

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>>> Concerto: <<<

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O concerto, aparentemente, representa a vitória das minorias: nele, os solistas lutam bravamente com a orquestra, até obterem a glória total! Mas não é bem assim. O concerto é um gênero orquestral mais leve que a sinfonia, baseado não no conflito, mas na harmonia. Ele nasceu da curiosidade natural em descobrir como justapor harmoniosamente sons produzidos por um pequeno grupo ou por apenas um músico aos sons produzidos pela massa orquestral. Com a notável exceção da ópera, o concerto é um dos raros gêneros que sobreviveram à turbulenta história da música.
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Ele surgiu no Barroco, em duas variantes: o concerto para solista e o chamado concerto grosso. Não é necessário dizer que o concerto para solista é aquele onde há um instrumentista acompanhado pela orquestra. Já no concerto grosso não há apenas um solista, mas um grupo deles, denominado concertino, que é acompanhado pelas cordas restantes, o ripieno.
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O concerto grosso é um gênero baseado na fuga e no contraponto. Como tal, o concertino jamais "pulveriza" o ripieno, mas mantém uma relação dialética com ele, num fluxo contínuo de música polifônica. Paralelamente, os concertos para solista barrocos são similares. O solo domina, obviamente, mas é mantido no mesmo plano da orquestra, de forma equilibrada.
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Esse aspecto foi bastante alterado no Classicismo de Haydn e Mozart. O concerto grosso praticamente desapareceu, em detrimento da sinfonia - curiosamente, surgiu um gênero híbrido denominado sinfonia concertante - e o concerto para solista ganhou a predileção do público. Como os demais gêneros clássicos, ele adotou a forma-sonata como padrão, abandonando a fuga barroca.
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É esse tipo de concerto que se tornou comum, do Classicismo em diante. Vamos ver como ele é construído.
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* Movimentos *
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Exatamente como a primitiva sinfonia, o concerto tem três movimentos, no esquema rápido-lento-rápido: um allegro inicial relativamente longo, um meditativo adágio e um leve e divertido rondó final.
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> 1º movimento <
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É o grande allegro inicial, escrito na forma-sonata, com algumas variações. O concerto clássico geralmente começa com a orquestra expondo todos os temas, preparando o público para a entrada do solista, que os expõe também. Mas Beethoven mudou isso, apresentando o solista mais cedo como que de surpresa, e durante o Romantismo já não havia mais regra.
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O desenvolvimento é geralmente dramático, com o solista claramente em conflito com a orquestra, o que se mantém até a reexposição, onde ele finalmente obtém o controle da situação. Tal controle atinge o clímax na grande cadência do final, tocada sem o acompanhamento.
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A tradição manda que o compositor deixe a cadência livre para o instrumentista improvisar, mas como geralmente eram os próprios compositores que estreavam suas obras, eles começaram a escrever as cadências - que fatalmente se tornavam padrão. Em seguida, a apoteótica coda, como se a orquestra finalmente se curvasse ao poder do solista.
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> 2º movimento <
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Após as tensões do primeiro movimento, segue um lírico e suave movimento lento. Aqui não há regras, e a forma fica a critério do compositor. Mas o normal é que haja uma espécie de reconciliação entre o solista e o orquestra, que nunca conviveram tão harmoniosamente como agora.
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> 3º movimento <
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O final é, geralmente, um alegre rondó que celebra o concerto. O clima é de descontração e, muitas vezes, dançante. Mesmo os compositores mais sisudos geralmente fazem os concertos terminarem dessa maneira feliz.
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Como em qualquer gênero, há as exceções. O Concerto para piano no. 2 de Brahms é a mais comentada: quatro movimentos ao invés de três. O Concerto para piano com a mão esquerda, de Ravel, vai além: composto para apenas uma mão, tem somente um movimento.
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>>> O que é um Concerto? <<<
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Trata-se de um evento de índole variada, comum nas cidades do mundo ocidental há aproximadamente cem, duzentos anos.
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Um número razoável de pessoas vai a um recinto - de caráter diverso - com o pretexto de ouvir música, de caráter igualmente diverso. Sabendo de antemão o quê (até como), quando e onde vai ser ouvido, combinam, normalmente em grupos de 2 ou mais pessoas, a compra de um pedaço específico de papel - o bilhete - que permitirá o ingresso nesse recinto à hora e durante o tempo combinado, o convívio com outros possuidores de papeis semelhantes e a audição da música programada. Por vezes dá-se simplesmente a soma de dinheiro conveniente ao funcionário que controla a entrada. Outras se vai a salto, rouba-se os ditos papeis, ou simplesmente entra-se, sendo a entrada livre.
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Mas isto acontece sob determinadas condições. Algumas escritas outras não, divergindo de concerto para concerto, de recinto para recinto, de música para música. Assim, em alguns concertos pode-se fumar, mexer, saltar, comer, dançar, vestir uma t-shirt, sentar no chão, cuspir no mesmo, bater palmas, falar, insultar os músicos, vestir smoking, berrar e outras manifestações humanas, algumas um tanto comprometedoras mas efetivamente possíveis - até louváveis - em alguns concertos. Noutros não.
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Em alguns existe intervalo, podendo sair -se só nessa altura. Por vezes há um bar, café, até champanhe servido por simpáticas meninas, ou mesmo umas latinhas de cerveja num balde com gelo, vendidas por um jovem desempregado de elevado potencial. Noutros não.
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O programa tem possibilidades infindas, pode mesmo não se saber o que vai ser tocado. Atualmente, em muitos casos, até já se sabe como vai ser tocado; e não sendo realmente tocado dessa forma, haverá certamente um ou outro crítico que irá manifestar o seu desagrado.
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Por outro lado, existe toda uma organização - múltiplas organizações - de índole, profundidade, programação e caráter diversos, que têm como objetivo a dita música e a sua execução neste evento - o concerto. Casas de instrumentos, de partituras, serviços de hotelaria, fundições e latoarias, especialistas em marketing, fábricas de papel, luthiers, empresas discografias, empregados do recinto, jornalistas de índole diversa, seguranças, engenheiros de som, de luz, empresas gráficas, críticos musicais, arrumadores, costureiros, diretores de índole também muito diversa - ou de coisa nenhuma - todos participam nestes eventos dando a sua contribuição.
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Atualmente existe o hábito de dividir os concertos - e, em geral, toda a música - em categorias como etno, fusão, clássicos, rock, ópera, dance, brasileira, românticos, nova era, moderna, jazz, popular, metálica, etc. E assim se pode saber se e como é possível mexer, vestir, sentar, enfim comportar-se.
Questão fundamental em todos os concertos: o público não faz música!
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> E a música? <
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Bem, grande parte da música - talvez a maioria - não foi feita tendo como objetivo essencial ser tocada em concertos. No geral foi feita para ser gravada em discos, tocada em casa para os amigos, feita para adornar (no sentido franckfurtiano do termo) ocasiões especiais como festas, batizados, enxaquecas, ou mesmo para ser dançada, ou nem sequer para ser ouvida. E, salvaguardando algum exagero, as únicas que foram feitas especialmente para o público pagante de bilhete, foram à ópera, a música de orquestra, algumas conçonetas, e pouco mais... O resto, são meros desvios de percurso.
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> Porque existem então concertos? <
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Na verdade, há como que uma magia em ouvir qualquer concerto, em ouvir música ao vivo, a boca de cena de permeio, as luzes focando os músicos, uma dupla atitude ilusória de poder e submissão.
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A questão está em que existem muitas outras maneiras de viver a música que não são esse divertimento passivo, superficial, laxante, circunstancial, que é o concerto. E estas sempre tiveram um sentido profundo na vida das pessoas, em todos os tempos.
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>>> Sinfonia: <<<

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Composição musical escrita para orquestra, geralmente estruturada em quatro movimentos. No período clássico, era estruturada da mesma maneira que a sonata: o primeiro movimento rápido, com a exposição, desenvolvimento e recapitulação dos temas principais, podendo algumas vezes ter uma introdução lenta; o segundo movimento sempre lento ou moderado, sem uma orientação determinada quanto à forma, e o terceiro movimento mais rápido que o primeiro, geralmente estruturado como um rondó. Algumas vezes, entre o movimento lento e o rondó, era introduzido um minueto.
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Haydn foi o compositor que escreveu a maior quantidade de sinfonias, sendo ao todo 104. A partir de Beethoven, o minueto passou a ser substituído pelo scherzo, exceto em sua oitava sinfonia. No Romantismo, a sinfonia passou a adotar uma estrutura mais flexível, algumas vezes em mais de quatro movimentos, outras vezes em apenas um ou dois movimentos. Alguns dos compositores românticos que se dedicaram à sinfonia foram Brahms, Schubert, Schumann, Mahler, Dvorák e Sibelius. No século XX, o gênero foi explorado por compositores como Shostakovitch e Górecki, entre outros.
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No período Barroco, a palavra Sinfonia era usada para qualquer composição orquestral, geralmente introdutória de uma obra maior.
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A sinfonia é o gênero mais conhecido. Quase todos os programas de concerto incluem uma ou duas sinfonias, e, de fato, a maioria dos compositores dispensaram atenção especial à sinfonia, escrevendo, geralmente, obras de fôlego. Ela é o veículo próprio para as grandes idéias, para os temas majestosos, para dramáticos conflitos, para arquiteturas grandiosas. Em uma sinfonia, tudo é feito em grande escala.
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Mas o que é? Uma sinfonia é uma obra para orquestra sinfônica completa, que dura 30-40 minutos podendo passar de 70, dividida em grandes seções denominadas movimentos. Ela surgiu das aberturas das óperas barrocas, prelúdios orquestrais solenes que precediam o espetáculo teatral. Muitas das características atuais da sinfonia devem-se a essa abertura primitiva.
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* Movimentos *
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O esquema dos movimentos é uma das contribuições da abertura de ópera à sinfonia. Mais especificamente, da chamada abertura italiana, criada por Alessandro Scarlatti. Ela se dividia em três partes: a primeira era rápida e solene; a central, lenta e lírica; e a última, rápida e flamejante. Ou seja, rápido-lento-rápido.
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As primeiras sinfonias, no início do Classicismo, eram compostas exatamente como a abertura italiana, em três movimentos, sendo o primeiro rápido (Allegro), em forma-sonata, o segundo lento (Adágio ou Andante), e o final rápido.
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Mas os vienenses tinham uma predileção especial por dança, e, na época de Haydn e Mozart, foi acrescentado um movimento: o Minueto, depois substituído por Beethoven pelo Scherzo. Desde então, as sinfonias mantiveram-se mais ou menos da mesma maneira, assim:
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> 1º movimento <
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Geralmente é um Allegro, escrito em forma-sonata. Muitas vezes as sinfonias iniciam-se com uma introdução lenta, para depois entrarem no Allegro em si. O primeiro é o principal movimento da sinfonia, e é lá que estão os temas principais. Muitas vezes, os demais movimentos utilizam-se de um ou dois temas do Allegro, em um artifício chamado de forma cíclica.
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> 2º movimento <
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É o movimento lento, um Adágio ou um Andante, geralmente. Aqui, não há qualquer orientação quanto à forma: pode ser uma forma seccionada como um rondó ou uma forma ternária, ou tema com variações, ou, o que é incomum, até em forma-sonata. O que importa aqui é o caráter do movimento, lírico, sonhador.
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> 3º movimento <
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Normalmente é uma forma seccionada como um scherzo, um minueto ou uma valsa. O comum é que ele seja o movimento mais leve e de menor extensão da obra, e seu aspecto rítmico é bastante importante, sempre ternário. Em algumas ocasiões, o scherzo aparece logo após o Allegro, mudando de lugar com o movimento lento, que passa a preceder o final.
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> 4º Movimento <
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O Finale costuma ser mais rápido e majestoso que o Allegro, configurando-se, na maioria das vezes, nos fogos de artifício de encerramento da sinfonia. Quanto à forma, geralmente é em forma-sonata, em rondó ou uma mistura de ambos, o rondó-sonata.
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Este é, obviamente, o esquema mais usual de sinfonia, e existem as exceções. Muitas vezes, dois movimentos se sucedem sem interrupção, como na Sinfonia com Órgão de Saint-Saëns, ou simplesmente são fundidos em um só, como na Quinta Sinfonia de Sibelius, que tem três movimentos. O mesmo Sibelius deu à sua Sétima Sinfonia apenas um movimento. A tendência inversa é representada pela Pastoral de Beethoven e pela Quinta Sinfonia de Mahler, ambas com cinco movimentos. E há também as sinfonias que ficaram inacabadas, como a Oitava Sinfonia de Schubert, com apenas dois movimentos, e a Nona Sinfonia de Bruckner, com três...
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